Entrevistas / Interviews:
Músico
Um dos nomes de maior destaque no cenário violonístico brasileiro nos últimos 20 anos, Ulisses é um músico inquieto e sempre em busca de caminhos  diferentes, o que torna o seu trabalho um dos mais ecléticos já produzidos no país. Hoje dividido entre as atividades de solista, arranjador, professor e compositor, ele tirou um tempinho em sua turnê nos EUA para nos falar um pouco sobre sua carreira, projetos e seu pensamento artístico.

 

Entrevista concedida a Eugênio Reis*

 
ULISSES ROCHA

Ulisses, poderia contar um pouco sobre como foi o seu desenvolvimento como músico desde o início?

Eu morava em Pirassununga (interior de SP), eu tinha uns 7 anos de idade e o pessoal tinha o hábito de no final da tarde botar as cadeiras nas calçadas e ficar conversando. Na época só tinha três canais de TV, a Tupi, a Record e a Excelsior, só que a programação era limitada e não varava a noite, então a diversão das pessoas era ir pra rua conversar. Numa dessas tardes apareceu um rapaz que era amigo da vizinhança com um violão na mão pra tocar e cantar. Ele deixou eu pegar o violão e me ensinou um “riffezinho” de uma música e eu peguei rapidamente. Minha mãe ficou encantada com aquilo, meu avô tinha sido violonista, ela achou que eu tinha um talento herdado dele e começou a ficar com vontade de me dar um violão de presente. A gente se mudou para São Paulo e no meu aniversário de 9 anos ela me deu um violão de presente, comecei a tocar e nunca mais parei Comecei a ter aula, primeiro acompanhamento de violão popular e cerca de 1 ano depois eu conheci o Antônio Manzione, professor de violão clássico, estudei clássico, aprendi todos os rudimentos da técnica. Lá pelos 12 anos eu acabei entrando para um grupo de irmãos, um grupo bem bacana de crianças, o pai deles era apaixonado por ver os filhos tocando, levava eles para muitos lugares, animavam festas, eles tinham equipamento, estúdio, etc. Dois desses irmãos hoje fazem parte do Rádio Taxi, o Mauro e o Maurício Gasperini. Mas eu tocava mal, muito pior do que eles, eles estavam muito mais adiantados, eles me chamaram a atenção, eu fiquei chateado, tomei aquilo como uma questão de honra e fui estudar pra tocar melhor do que eles! Foi aí que eu comecei a estudar pra valer, na mesma época eu também ganhei uma guitarra e comecei a tirar Rock de ouvido. E fui tocando, sempre rock, violão, rock, violão. Aos 16 eu conheci um cara que me influenciou muito, o Nico Rezende, que anos mais tarde foi sucesso na música pop. O Nico era um grande talento, ele já conhecia muito de harmonia popular, de jazz, isso mexeu comigo e eu senti necessidade de estudar harmonia. Foi aí que eu entrei na escola do Zimbo Trio, o CLAM, fiz um ano de curso lá, entrei na faculdade de agronomia, larguei, voltei para o CLAM para pedir emprego, eles me empregaram como professor, fiquei dando aulas e convivendo com os músicos da época, fui estudando pelos livros, com os colegas, trocando idéias, fazendo reuniões com os músicos… O último curso formal que eu tive foram algumas aulas de análise musical com o Cláudio Léo Ferreira, um grande músico. O resto foi tudo sozinho.


Você é um músico que transita entre muitos estilos e vertentes, combinando clássico, jazz e 
música brasileira. Esse tipo de ecletismo, ao mesmo tempo em que expande os seus horizontes, 
torna o seu trabalho difícil de definir. Poderia falar um pouco sobre essa característica?

Acho que a minha formação explica um pouco disso. Eu comecei me interessando por um tipo de música e fui conhecendo pessoas que faziam outros estilos e fui me apaixonando por tudo. Hoje eu entendo que eu gosto de todas as músicas e não de uma só. E sempre foi muito claro na minha cabeça que eu queria saber um pouco de todos os tipos de música, eu não queria ser exclusivo de um estilo, eu sou um cara muito inquisitivo, se eu vejo alguém tocando algo que me parece bacana, eu vou querer aprender pra ver como é que é e vou pegando essas vertentes todas. Agora com mais maturidade eu comecei a selecionar um pouco mais esses estilos e parei de tentar tocar de tudo, mas até eu fazer isso o meu leque de opções ficou bem grande.

Como você mesmo disse na sua pergunta, o meu estilo é de difícil definição e de certa forma isso me causa muitos problemas, de certa forma eu lido um pouco com preconceito. O pessoal do clássico nem sempre está disposto a me receber como violonista clássico, o pessoal do choro acha que eu não toco nada porque eu não toco choro. Eu acho que sou mais aceito no mundo jazzístico e na MPB, mas eu tenho esse problema, na hora de lançar um disco, eu nunca consigo dizer exatamente do que eu estou falando naquele trabalho. Eu busco uma música com minha assinatura, e ela aparece de diversas formas. Mas é assim que eu sou e quero continuar sendo, a música pra mim faz sentido dessa forma, eu quero continuar tendo liberdade de escolha, se eu quiser gravar um disco de guitarra eu gravo, se quiser gravar violão clássico eu gravo. Acho que a minha marca é não ter marca! O cara que gosta da minha música vai encontrar o meu estilo encravado no que eu estiver tocando no momento, seja lá o que for. Enfim, é meio por aí…


É impossível falar da sua carreira sem mencionar o Grupo D’Alma. Qual a importância do grupo 
no seu desenvolvimento e formação musical?

O D’Alma eu conheci na época em que eu dava aula na escola do Zimbo Trio. Foi seguramente a coisa mais importante que aconteceu na minha vida por dois aspectos. O primeiro foi o fato de eu ter sido jogado na vida profissional de músico já num patamar muito bom, adiantou muito o processo, eu não precisei ficar batendo a cabeça nos bares até surgir uma oportunidade.O D’Alma me levou para os grandes festivais de Jazz no Brasil e no mundo. Eu consegui enxergar a realidade da vida musical de uma maneira bem clara muito precocemente e isso me ajudou muito. A segunda coisa foi o convívio com o André Geraissati, que era um cara de uma liderança muito grande, muito mais experiente do

 

eu, ele era 10 anos mais velho e que me ajudou muito a criar os meus primeiros conceitos a respeito da arte e da profissão. O músico no Brasil, principalmente quando ele está estudando, ele fica um pouco preso aos assuntos que ele aprende na escola e mede a música através da quantidade de conhecimento. O André foi o cara que me ensinou muito sobre o conceito de música, sobre o que a gente deve tentar buscar como músico, o que é valorizado, o que é realmente importante, o que realmente é essencial para um músico, o André tinha isso muito claro na cabeça dele e a gente conversava bastante sobre esse assunto e isso me ajudou a encurtar um caminho muito grande. Eu vejo hoje amigos meus da minha idade que ainda não têm um décimo da maturidade que eu tinha já aos 20 e poucos anos de idade por causa desse convívio com o André e a realidade do D’Alma. O D’Alma foi um grande começo, eu tive uma sorte muito grande de estar perto deles ali naquele momento e de ter sido escolhido para substituir o Cândido Penteado quando ele foi para os EUA.


Você desenvolve um longo e importante trabalho como professor na Unicamp, poderia falar
da sua experiência como didata?

Quando eu larguei a faculdade de Agronomia, eu tinha um compromisso muito grande de me sustentar como músico, até para provar para minha família que a música era viável. Como é comum, minha família fez uma pressão muito grande para eu não ser músico profissional, assim que eu larguei a faculdade eu assumi o compromisso de me sustentar sozinho. As duas coisas que eu comecei a fazer foi tocar na noite e a dar aulas. Eu comecei a dar aula muito cedo e aprendi muito cedo, eu desenvolvi uma facilidade muito grande nesse lado didático. Isso me levou anos mais tarde a entrar na Unicamp e lá dentro eu aprendi muito sobre a vida acadêmica, sobre o que é estar ligado a uma Universidade, qual a função dela dentro de uma sociedade, sobre a minha função ali dentro. Isso acabou tomando conta de mim de uma forma muito importante também, porque além do lado artístico eu sinto que herdei no meio dessa história toda um compromisso muito grande com a didática. Dentro da Unicamp eu aprendi a organizar minha cabeça no sentido de deixar para a posteridade as coisas que eu estou estudando agora. Hoje eu tenho esse compromisso de colocar tudo no papel, já fiz os 10 estudos, em breve eu vou lançar todas as minhas composições pra violão e pretendo também escrever muito mais coisas de âmbito didático, relacionados a diversos assuntos da música e a influência da Unicamp nessa história é muito importante.

 

O que levou você a escrever os seus 10 Estudos 10 Estudos para violão?

Os estudos vieram por causa do meu jeito particular de estudar, nunca gostei de estudar o que me mandavam e sempre estudei o que eu sentia necessidade. Como eu sempre escolhi caminhos que não eram muito ortodoxos, no meio do estudo do clássico eu queria tirar solos de guitarra, eu percebi que o violão que eu ia acabar tocando exigia algo a mais de técnica que o curso do erudito não me dava. Então eu comecei a buscar meu próprio estudo de técnica e a partir daí fui focalizando no repertório, eu escolhia uma música com um conteúdo que eu achava interessante e estudava a técnica através do aprendizado dela, eu detestava exercício. Com o passar dos anos a minha técnica melhorou muito, mas eu fiquei

com algumas coisas mal resolvidas, alguns movimentos e alguns tipos de arpejos e escalas 
eram difíceis pra mim. Observando o porquê eu percebi que eu tinha que trabalhar aquele tipo de movimento em separado. Como não havia um grupo de estudos que me dessem aquele tipo de treinamento, eu resolvi fabricar eu mesmo os meus exercícios pra chegar naquele resultado. Eu comecei a escrever os estudos e o exemplo mais direto que eu posso dar disso é o Estudo No 3, que foi na verdade o primeiro que eu escrevi e que tinha o intuito de me ajudar a estudar o arpejo da segunda parte do Prelúdio No 4 do Villa-Lobos, que é um arpejo p-i-m-a que não pára e que apesar de parecer fácil, atingir um equilíbrio nele é muito difícil. Como eu não agüentava mais estudar aquele Prelúdio sem conseguir o resultado que eu queria, eu resolvi escrever o Estudo No 3, que é o mesmo arpejo, mas com um conteúdo harmônico diferente pra me distrair e consegui resultados. Então eu comecei a escrever estudos para resolver problemas técnicos que me incomodavam e quando eu me dei conta eu tinha um volume grande trabalho que eu podia transformar em livro. O No 9 estuda a técnica do i-m do Baden Powell, o 6 e 7 estudam a velocidade do indicador e médio para o picado, num dado momento eu descobri que pra conseguir um bom picado era preciso trabalhar a arrancada, ficar trabalhando o arranque em cima de exercícios gráficos era insuportável, então eu fiz algo que fosse divertido, os estudos nasceram nesse âmbito, com esse objetivo. Acabei publicando pela Editora Árvore da Terra na época e o resumo é mais ou menos esse...

Você vem ao longo dos últimos anos desenvolvendo uma carreira internacional. Como é a 
receptividade ao seu trabalho e à música brasileira para violão no exterior?

A receptividade é sempre boa. A gente traz uma música e um jeito de olhar pra música diferente da forma de encarar do público do exterior, porque os estrangeiros tendem a ser muito pragmáticos no estudo. Na maioria dos países, principalmente nos desenvolvidos, eles têm uma escola muito bem assentada e organizada, então eles colocam todas as fichas na escola, acreditam na escola acima de tudo e fazem tudo que a escola manda. Eu venho de uma geração brasileira onde a gente não tinha uma escola tão bem estabelecida, então eu acabei usando muito da minha intuição para me desenvolver e os músicos da minha geração são todos assim. Então a gente tem um método diferente de enxergar e analisar a música, de usar os recursos musicais sem uma preocupação teórica pré-estabelecidada, de forma que isso surpreende os músicos estrangeiros. Só pra dar um exemplo, eu estava em Orlando, na Flórida, semana passada e o pessoal me per­guntou como é que eu pensava para improvisar e quando eu expliquei que o meu princípio era pensar na harmonia e nos acordes e desprezava em parte as escalas pra conseguir chegar num resultado melhor; eles acharam incrível e queriam entender, eles disseram que na escola eles aprendiam de um outro jeito. Eu expliquei que também tinha estudado daquele jeito, mas que não funcionava pra mim, então eu busquei outra forma, a dificuldade maior deles é entender essa independência que a gente tem no sentido de buscar as nossas próprias soluções sem ficar preso ao que a escola determina. Essa é a característica que o músico brasileiro tem, especialmente os da minha geração. Hoje eu já sinto isso um pouco diferente nos músicos brasileiros mais jovens, eu percebo que eles já estão indo mais em cima da escola. Mas essa nossa liberdade surpreende muito, o pessoal de fora valoriza isso e a gente é sempre muito bem recebido.


Além de todas as atividades como músico e professor, você também criou uma editora. Pode 
falar um pouco sobre a sua editora e o mercado editorial brasileiro?

Eu percebi que no Brasil a gente tem uma realidade muito propícia para entrar nesse ramo. A gente tem uma disseminação de escolas e faculdades de música por todo o país, a Internet está aí facilitando, todo mundo tem acesso à informação musical hoje, mas em contra partida a gente não tem um material didático de qualidade publicado no Brasil. Tudo que a gente tem são coisas antigas, umas pouquíssimas mais modernas, mas ainda insuficientes. Uma coisa que me incomoda muito é sentar pra dar aula a alguém que quer tocar direito, que quer estudar pra valer, com leitura, técnica impostada, e a gente tem que dar pra ele como repertório música do século XVIII e XIX porque é basicamente o único material disponível. Não que eles sejam ruins, pelo contrário, são maravilhosos, mas será que não tem um outro repertório mais atual que serviria ao mesmo propósito? Algo que fosse mais instingante?

Foi pensando nessa carência que eu resolvi encampar esse tipo de trabalho. Por que não lançar no Brasil uma editora que forneça esse tipo de material? Eu fiz a primeira tentativa com o livro “Violão Solo MPB” [arranjos escritos por Diogo Carvalho e supervisionados por Ulisses Rocha], mas me deparei com uma realidade muito estranha. O brasileiro ainda não está psicologicamente preparado para conviver com esse mercado. No Brasil se desenvolveu uma forma de pensar a respeito da música com base na xérox e como aqui se fez isso a vida toda, muita gente hoje acha que xerocar está certo. Então é difícil fazer circular um material didático e fazer com ele se pague porque as pessoas xerocam tudo o tempo todo. Eu fiz uma proposta para os professores para que eles pudessem revender as partituras e participar do processo, quer dizer, eu não assumi uma postura de querer ganhar dinheiro só pra mim, eu queria disseminar um tipo de pensamento que pudesse no futuro abrir portas para que os músicos e professores tivessem numa idade mais avançada uma forma de ganhar dinheiro com a música sem precisar estar tocando. Publicando as obras, a metodologia e abrindo uma perspectiva profissional diferente para o artista, mesmo porque nesse trabalho que eu estou desenvolvendo eu não estou colocando meu trabalho pessoal, eu estou convidando pessoas para produzir material, eu entro só como editora, exatamente para criar uma possibilidade de uma nova profissão dentro da música, de uma nova forma de conseguir trabalhar na música que não seja só envolvendo performance.

Músico no Brasil tem vergonha de ganhar dinheiro, de associar a profissão a algo do qual ele precisa para se sustentar, ele prefere não vender a própria música, prefere dar a partitura de graça para os alunos, e isso faz com que a carreira de músico fique muito complicada no país. Quando você entra num curso de inglês a escola vende todo o material, eu não vejo os pais xerocando os livros dos amiguinhos e mandando os filhos pra escola com aquele tipo de material, ninguém faz isso porque seria um desrespeito aos colegas que compraram, ao autor que escreveu, mas na música é o contrário, o pessoal acha bacana dar xérox para o aluno, sem perceber o desdobramento profissional disso. Com a editora, eu vi que eu tenho uma batalha muito grande pra lutar no sentido de mudar essa mentalidade. Estou tendo dificuldades nesse momento, mas não vou parar, não, eu acredito que mais um pouco para a frente essas coisas vão mudar.

Você sempre tocou e gravou com diversos parceiros musicais. Recentemente, montou o Trio 
202 e lançou um disco em trio com Nelson Ayres no piano e Toninho Ferraguti no acordeon. 
Como acontecem essas parcerias?

Eu sempre gostei de tocar em grupo. Uma coisa que me incomodava na vida de violonista é que o violonista normalmente é muito solitário. Eu sempre gostei de tocar em grupo, tive grupo de rock, tive grupo de bar, o próprio D’Alma. Eu acho que tocando em grupo a gente desenvolve um outro lado da nossa musicalidade que a gente não desenvolve quando é solista. De tempos em tempos eu gosto de me unir a outras pessoas e fazer um trabalho em conjunto para conseguir pegar por osmose outras músicas, a gente recebe uma influência que é enriquecedora, a gente muda o jeito de tocar, o fraseado, a gente ganha muitas coisas tocando em conjunto. Fazia tempo que eu não participava de um grupo e pintou essa oportunidade do trio, de fazer uma gravação em NY e tudo isso tem feito um bem muito grande pra mim, eu sinto que a minha música deu uma mudada para melhor desde que eu comecei a tocar com eles dois.

 

Quais os seus projetos em andamento?

Eu queria gravar mais um disco solo ano que vem ou esse ano ainda se der, eu tenho um disco para gravar na Alemanha em trio com dois músicos alemães, o Minnie Schultz e o Peter Lehr, a gente vai fazer uma turnê e no final do circuito a gente vai se juntar para fazer um disco de estúdio, eu estou me concentrando bastante nesse trabalho, o trio é diferente, é violão, sax e baixo. Eu ainda sinto falta de um outro disco de violão solo, com músicas que eu possa colocar em partitura e que as pessoas possam tocar. Eu já estou com repertório suficiente pra isso, então em breve eu devo entrar no estúdio pra fazer um disco novo e eu queria também fazer um disco de violão mais easy listening, como foi o Acoustic Lounge Café, que é um tipo de trabalho que mexe com um outro lado meu que eu gosto muito, que é o lado que mexe com eletrônica, com computador, informática, com arranjos e onde eu coloco o violão dentro de um contexto musical muito maior, mais amplo e menos violonístico, mas mais musical como um todo. Isso é algo que eu também sinto falta de trabalho uma vez ou outra, colocar o violão dentro de um contexto onde ele não é o único elemento, onde ele faz parte de um todo, onde o foco maior é o arranjo e o clima. Eu estou com esses três trabalhos na cabeça e eu acredito que a ordem vai ser primeiro o trio na Alemanha, em seguida o disco solo e depois o disco com o violão mais ligado aos arranjos.

Existe também uma conversa minha com um gaitista italiano, muito amigo meu, o Gianluca Libera, a gente tem conversado bastante a respeito de fazer um disco juntos e é uma coisa que pode acontecer a qualquer momento, mas por enquanto ainda não tem previsão.

Ulisses, gostaríamos de agradecer pela entrevista. Gostaria de deixar algum recado para os
eitores da BGM?

O recado que eu posso mandar é simples. Eu acho que está na hora dos músicos entenderem que a música, apesar de ser deliciosa, da vida de músico ser maravilhosa, que tocar violão é uma graça divina, é um ofício, os músicos nunca podem perder de foco o fato de que aquilo é a profissão deles e que eles precisam viver disso a vida inteira. Então seria muito importante que os músicos se empenhem em conversar e amadurecer a idéia de que nós temos que cobrar pelo nosso trabalho, a gente tem que parar com essa história de trabalhar de graça, de ter vergonha de relacionar a nossa música com a dimensão profissional, porque é isso que vai tornar viável a nossa vida. Nós temos que atingir o ideal de viver da nossa atividade musical, sem termos que fazer trabalhos paralelos para poder sobreviver. A dica fica aqui. Vamos tentar entender que a música é a nossa profissão, é difícil isso, mas é muito importante.

 Site oficial do violonista Ulisses Rocha: http://www.ulissesrocha.com
 

 

Eugênio Reis é brasileiro radicado nos EUA, onde é um dos diretores de uma sociedade de violão em NY, e vem se dedicando a divulgar o violão brasileiro de 6 e 7 cordas em várias frentes, escrevendo artigos em inglês e português, participando de convenções e festivais, dando recitais, transcrevendo música, produzindo concertos de violonistas, organizando fóruns de debates e também representando dois dos mais importantes luthiers brasileiros.



 

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